2004/02/29

Fim de Ciclo 

Ao fim de quase nove meses destas andanças e de várias matanças, inúmeras postas, polémicas várias, mais de 75.000 visitas e, perdoe-se-nos a falta de modéstia, alguma intervenção cívica, o Mata-Mouros termina hoje a sua existência enquanto blogue.

Não se trata de nenhum abandono, cansaço ou desilusão, mas a integração num projecto mais ambicioso, em que os ainda “matadores” participarão activamente com ânimo redobrado.

Dentro de momentos, nascerá um novo blogue – BLASFÉMIAS – como resultado da 1ª fusão na lusa-blogosfera, integrando o Mata-Mouros, o Cataláxia e o Cidadão Livre. Duas noitadas no Ateneu foi quanto bastou para se acordar esta fusão amigável, obviamente facilitada pela convicção e forma de estar liberal que todos partilhamos. Espírito liberal esse que transitará inalterado para o BLASFÉMIAS, que não sentirá minimamente o “choque de culturas” tão receado nas fusões, antes se garantindo à partida uma perfeita osmose.

Qualquer um de nós anda aqui apenas pelo gozo que isto nos dá e não por qualquer espírito de missão. Materialmente, implica até algum sacrifício. Mas enquanto tivermos disposição para cá andar, queremos fazer uma intervenção que valha a pena, sobretudo numa óptica qualitativa. A fusão que agora se concretiza, permite ganhar massa crítica, fundamental para que possamos intervir numa base permanente e focando várias temáticas em simultâneo.

As sinergias (palavrão obrigatório sempre que se fala em fusões) também serão evidentes. Não só porque o todo é nestes casos superior à soma das partes, mas porque no BLASFÉMIAS seremos não 5, mas 7 a escrever. Para além dos elementos dos blogues fusionados, integram também este projecto o PMF (um “matador honorário”, cuja “mailada” opinião redundava sempre numa excelente posta) e, a cereja no bolo, a Sara Müller, a grande dinamizadora do novo blogue e que será, indubitavelmente, o nosso Fundo de Coesão.

E assim arrumamos a lança e a espada, que substituiremos por uma arma mais sofisticada: a blasfémia. A todos aqueles que nos leram e no fundo nos deram ânimo para fazer do Mata-Mouros um blogue de referência, O NOSSO MUITO OBRIGADO. Já daqui a instantes, poderão encontrar-nos neste endereço onde esperamos não os desiludir:
http://ablasfemia.blogspot.com

Carlos Abreu Amorim
Carlos Loureiro
Luís Rocha


Por Santiago, de novo e sempre 


Canção da despedida 

É preciso acabar com a serenidade!
A grande questão é saber se ainda existe o discernimento para os portugueses conhecerem e ultrapassarem os males que os afligem. Os guardiães do sistema como ele está, insistem, a todo o tempo, nos apelos à “serenidade”.
Mas qual o seu significado? Sobretudo causar um estado geral de inacção, de apatia, evitar reacções, reflexões, percepções, que possam levar as pessoas a compreender que as coisas em Portugal funcionam ao contrário daquilo que lhes têm dito.
Surgem dúvidas sobre o funcionamento da Justiça? Tenhamos serenidade! Mentiram-nos acerca do estado das contas públicas? Haja serenidade! A administração pública portuguesa é a mais cara e ineficiente da Europa? Aguentemos com serenidade! A corrupção invade os poderes públicos? O que é preciso é serenidade! As corporações impedem qualquer reforma neste país? Bom, desde que não se perca a serenidade... Algumas das figuras mais mediáticas parecem ter esquecido os rudimentos da moral? Serenidade!
Esta expressão, de tão esbanjada, tornou-se já no símbolo do regime, na imagem de marca desta nossa “sereníssima” república. O que se pretende é garantir um espírito de bovinidade generalizada, de olhar sem ver nem perceber os graves problemas que nos atingem.
O pior é que estes apelos estão a ter demasiado êxito. Apesar de tudo o que se passa, os portugueses continuam cheios de “serenidade”.

Canção do Infiel 


Santiago el de España (do Porto)
los mis moros me mató,
desbarató mi compaña,
la mi seña quebrantó...
Santiago glorioso
los moros fizo morir;
Mahomat el Perezoso,
tardo, non quiso venir

O Norte em blogue 

Nortugal, assim se chama o blogue do nosso amigo Paulo Vaz. Obviamente a tratar dos temas que lhe são mais caros, a Regionalização e o Norte. Sobre estes assuntos, Paulo Vaz tem ideias muito bem estruturadas. Visita indispensável. Para nós é (será) um estimulante.

Não há caducidade 

Ao fim de tantos artigos dominicais, acho que hoje foi a primeira vez que Augusto M. Seabra não fez a defesa de algum recôndito interesse da indústria em que labuta - conhecida, genericamente, por "cultura" - nem concluiu pela imperiosa necessidade de se derramarem mais fundos públicos em projectos e ideias dos seus amigos de corporação.

Hoje falou do aborto. Entendeu ser relevante anunciar ao mundo que foi um dos subscritores da petição que exige um novo referendo sobre a matéria. Razão que deveria ser suficiente para que o referendo se realizasse "já!".

Depois sistematiza os habituais argumentos dos habituais subscritores dos habituais "abaixo-assinados". Quase nada de assinalar.

Apenas isto - a dado passo, AMS narra as declarações de uma jurista nos idos de «1978, princípios de 79; interrogada pelo então "pivot" da "Informação 2", António Mega Ferreira, declarava ela que um dos motivos de caducidade das leis era a sua falta de observância prática. Quem então o disse chamava-se Leonor Beleza».

Não sei se a jurista Leonor Beleza teria realmente proferido isto. Entendo como provável que nem mesmo a proverbial memória de AMS possa reproduzir fielmente as expressões verbais ditas por alguém, na televisão, há 25 anos.

Mas o que interessa realçar é que, juridicamente, isso não é verdade.

A caducidade da lei não acontece quando esta deixa de ter "observância prática". Ou seja, o "desuso" não implica a cessação da vigência de qualquer lei.

No plano formal esta só caduca quando contém um termo concreto (um prazo de vigência, típico das leis temporárias) ou, ainda, quando as circunstâncias que a originaram deixaram de integrar a realidade dos factos - note-se que mesmo esta última situação é objecto de polémica entre alguma doutrina jurídica.

O patente incumprimento da actual legislação acerca do aborto, que já aqui salientei, não provoca a sua caducidade. Implica - isso sim - uma reflexão séria.

Que é exactamente aquilo que os (habituais) subscritores da petição que AMS tanto gaba não estão interessados nada em fazer. Bem como grande parte da actual maioria coligada.

Terrorismo e democracia 

A longa discussão sobre as diferenças entre Israel e a "Autoridade Palestiniana" têm vindo a ser discutidas, tanto na blogosfera como noutros media (veja-se, por exemplo, o texto de Helena Matos citado duas e três postas abaixo).

Hoje tivemos mais um exemplo dessas diferenças.

O Tribunal Supremo de Israel ordenou a suspensão da construção do famoso muro, num sector a noroeste de Jerusalém.

Mais do que saber se é licita ou não tal construção, mais do que saber "quem tem razão" na longa luta, esta decisão prova aquilo que aqui (como em tantos outros sítios) se tem vindo a defender. Israel, ao contrário da "Autoridade Palestiniana" e de muitos Estados na região, é uma democracia.

Parolices 

A SLB, Sociedade a Leiloar Brevemente, vulgo Benfica, voltou a encher as primeiras páginas. Eleições? A nova “mesquita”? Dirigentes de novo às turras? Não, desta vez é o centenário, pretexto óptimo para se preencherem mais umas dezenas de horas de emissões radiofónicas e televisivas, para remexer mais uma vez nas relíquias já gastas do passado, para repetir os habituais discursos e declarações balofas cheias de nada, para mais fanfarra e foguetório por coisa nenhuma. Enfim, uma simples efeméride de uma instituição em declínio, transformada em grande acontecimento nacional.

O Benfica é sem dúvida o clube mais português, o exemplo mais típico do país decadente que somos, comprazendo-se em liturgias glorificadoras do passado, na eterna ilusão de que o brilhantismo daquele é uma garantia do futuro. Só que este não se conquista numa postura de eterno saudosismo grandiloquente e parolo, de mão sempre estendida ao subsídio, mas enfrentando-o e lutando arduamente, algo que já não sabemos fazer.

2004/02/28

Opressões esquecidas e omitidas 

Helena Matos, a quem vamos ter de galardoar como “matadora honorária”, excede-nos mais uma vez as expectativas neste artigo. De uma forma simples, equilibra o ovo e lembra-nos a outra parte dos problemas em que nunca pensamos. E incomoda-nos! Porventura intoxicados com o que se fala e com o que é notícia, só discutimos as causas e esquecemos as pessoas. Pessoas essas, principalmente mulheres, que em muitos sítios deste mundo são vítimas de atrocidades medievais.

Helena Matos fala-nos da palestiniana Souad e da turca Guldunya, condenadas por engravidarem de forma ilegítima (usando, já agora, o direito de serem donas da sua barriga), mas podia também falar da opressão do uso do véu em países islâmicos ou da barbárie cultural que constitui a excisão feminina em muitos países de África.

Mas o pior de tudo é o tipo de informação dos nossos dias, que nos transmite, oculta ou omite factos, sempre com o supremo objectivo de não pôr as causas em causa. A história ensina-nos que as grandes causas mais não foram que a legitimação do sacrifício de milhões para reforçar o poder de alguns. A forma como hoje se (não) registam factos, acontecimentos, ocorrências, promove falsos valores, esconde crimes contra a humanidade e deixa registos que amanhã irão porventura contribuir para escrever uma falsa história ou uma não-história. Não será também isto um crime?

Avassalador 

Fico sempre sem palavras quando leio os artigos de Helena Matos no Público.
Hoje, não posso concordar mais com o que escreve (vale a pena ir lá ler o texto inteiro):

"Sendo inquestionável que os palestinianos têm direito a um Estado independente, sendo igualmente inquestionável que o Estado de Israel tem de ser responsabilizado por inúmeros atentados aos direitos dos palestinianos, não se podem colocar no mesmo prato da balança regimes e líderes democraticamente eleitos e regimes despóticos e grupos terroristas.

Da mesma forma que tenho a certeza que Israel não tem o direito de redesenhar as suas fronteiras com o dado adquirido de milhares de toneladas de betão, também penso que é criminoso exigir a um povo que, em nome da paz, se deixe matar.
"

Bin Laden capturado? 

Oxalá! Mas há muito tempo? Talvez. O mercado dos votos tem destas perversões.

As Bolsas em 2004 (II) 

O mês que agora termina foi excelente para os mercados bolsistas. Das 28 Bolsas que vamos acompanhando, apenas 4 terminaram Fevereiro com perdas, sendo patente algum entusiasmo na generalidade dos mercados, quase euforia noutros como foi o caso de Lisboa. Mas vamos ao quadro com os valores (em moeda local), ordenados por ordem decrescente de rendibilidade nos últimos 12 meses (informação fornecida pela Reuters):



O panorama, como se vê, continua animado e no mês apenas destoaram o Nasdaq, o Xetra, o Bovespa e o BSE 30, estes dois últimos a denotar alguma correcção a ganhos anteriores muito acentuados. As bolsas do “Império” até estiveram bastante animadas durante a última sessão, depois de ter sido revisto em alta o PIB americano do 4º trimestre de 2003 - 4,1% (!!!), quando teremos cá disto? Para o final da sessão, as coisas arrefeceram com a incerteza quanto aos dados do emprego que sairão para a semana. Aliás, aquela rapaziada ainda apanha uma congestão, tal a quantidade de estatísticas que têm continuamente de digerir.

A nossa “bolsinha” teve um mês em cheio: a 3ª maior valorização, sendo a maior dentre as bolsas europeias, fechou com ganhos pelo 7º mês consecutivo e na Europa só perde para Frankfurt na rendibilidade nos últimos 12 meses. Quem tivesse há um ano constituído uma carteira com a mesma estrutura do PSI-20, teria hoje mais 45% - que desconsolo, ver isto só à posteriori... Aliás, seja qual for a Bolsa, vejam o valor que lhe corresponde na coluna dos 12 meses e arrepelem-se depois... Tudo positivo e compensando claramente o risco cambial de alguns mercados. Aliás, as rentabilidades anuais estarão agora a atingir os seus máximos, dado que Fevereiro e Março de 2003 representaram para a generalidade das bolsas o pico mais baixo.

Mas voltando ao nosso “mercadinho” e olhando apenas para as empresas integrantes do índice, a estrela do mês foi a Pararede, a subir quase 28% e a recuperar seguramente de uma quase falência. Segue-se-lhe a Sonae SGPS (+ 16,5%) a querer acordar de uma longa letargia que a fez descer aos infernos e o BCP (+ 15,3%) a quem se desenham risonhas perspectivas nos investimentos além fronteiras. Das empresas do PSI 20, apenas duas não fecharam Fevereiro com ganhos: a Jerónimo Martins, que fechou flat e a SAG Gest que encerrou com perdas de 3,1%. Mas fora do índice também se assistiram a movimentos interessantíssimos: desde uma super especulativa Sonae Indústria a subir mais de 50% no mês, a uma renascida Reditus ou uma “Berardiana” Teixeira Duarte, ambas a subirem mais de 40%. Quem quiser ir em futebóis, está limitado a dragões (os maiores, com uns rotundos ganhos de 3%) ou a uns míseros lagartixos, que definharam 1,5%. Lampiões não existem nestas andanças, que para tal não têm estatuto nem nível (mas tê-lo-ão para alguma coisa?).

Enfim, nos últimos 12 meses encerrados em Fevereiro, a bolsa de Lisboa só em setembro de 2003 fechou com perdas. Se isto não é a retoma, onde é que está a retoma?

Os extremos tocam-se? 

Sigo a polémica entre o Barnabé e o Jaquinzinhos acerca dos blogues de extremos: de direita e de esquerda.

À partida, por todas as razões, sou tentado a concordar com o que defende o JaquinzinhosA verdade é que o direito da extrema-direita estar na blogosfera é exactamente igual ao da extrema-esquerda. Moralmente, tanto direito têm os extremistas de direita a criarem as suas associações como os extremistas de esquerda que já podem associar-se livremente. A opinião dos bloguistas de extrema-esquerda sobre os bloguistas de extrema-direita tem tanto valor como a opinião dos bloguistas de extrema-direita sobre os de extrema-esquerda ou como a minha opinião sobre os bloguistas dos dois extremos».

Sobretudo, por isto: «Tanto a direita como a esquerda extrema, pretendem impôr normas de conduta que acreditam ser superiores, porque baseadas em códigos morais e éticos em que acreditam religiosamente».

Mas, depois, dei comigo a pensar nas razões que me levaram a pedir aos meus dois colegas do Mata-Mouros para retirarem os links dos blogues ditos de extrema-direita.

Deu-se o caso de fazer uma posta acerca da questão dos imigrantes (o dia foi longo e não me apetece procurar no arquivo). De imediato o nosso e-mail foi bombardeado com mensagens de uma agressividade medonha e com um conteúdo repugnantemente racista. Eram "os pretos" para lá, "os pretos" para cá e tudo e todos daqui para fora. Algumas dessas mensagens vinham assinadas. Algumas dessas mensagens eram oriundas dos autores de blogues ditos de extrema-direita.

Comecei a a ler esses blogues com mais atenção. Em quase todos eles impera esse tipo de sentimento. Em alguns, inclusivamente, existe a versão mais refinada e clássica do racismo que é o anti-semitismo.

É aqui que julgo falhar a argumentação do Jaquinzinhos - os extremos tocam-se e assemelham-se em muitas coisas; mas assumir o racismo como um paradigma de conduta é demasiado para mim. Ou seja, consigo visitar qualquer blogue e polemizar com quase todos sobre quase tudo, mas discutir a partir de pressupostos racistas é-me insuportável.

Ser racista é mergulhar ao nível do subsolo intelectual, é violentar a natureza humana, é negar a ciência, é desdenhar a ética, é refutar a diversidade que todos somos.

Esta é a diferença entre os blogues dos dois extremos. Uma grande diferença. É essencialmente por isso que discordo igualmente do que se defende nos dois tipos de blogues, mas a uns visito quotidianamente, discuto e respeito; quanto aos outros, deixei de conseguir passar por lá.

Os blogues racistas não entraram para qualquer Index Proibitorum e concordo que têm direito a existir - mas esqueci-os e, para mim, já não estão.

Ainda sobre o mesmo tema/filme 

Ver esta posta de MP, no Eclético.
(Sinceramente, só espero que o filme valha esta polémica toda)

Eis a resposta 

A Ana respondeu-me por mail à pergunta que lhe fiz na posta anterior.

Embora não tenha visto o filme por inteiro, teve acesso aos 55 minutos que foram enviados à imprensa internacional.

Para além disso, toda a resposta demonstra cabalmente que a Ana pronunciou-se acerca do "The Passion..." com perfeito conhecimento de causa.

2004/02/26

Uma pergunta... 

A Ana, nas suas Crónicas Matinais, escreveu bem e bonito. Frontal como aprecio. Mas temo que tenha resvalado nas generalizações que o "The Passion..." parece ter despertado por todo o lado.

O "pai" não é o "filho". A obra nem sempre se confunde com o autor. Nem se consegue sustentar uma crítica num vago «já se sabe que o objectivo da família Gibson é...».

Sobretudo quando trata de um tema omnipresente e fundacional da cultura ocidental.

Para além disso, o seu texto despertou-me uma ligeira curiosidade: a Ana, por acaso, já viu o filme?

Nova Esquerda e anti-semitismo 

Embora tenham sido escritos há alguns dias só hoje reparei na desmontagem que O Observador faz acerca da Nova Esquerda actualmente emergente.

Tangerina Doce 

Mais uma excelente "sobremesa" para a blogosfera.

Ora nem mais 

FC Porto 2-1 Manchester United FC
Simply remarkable! A sublime performance by the Portuguese champions whose inner belief turned the opposition - labelled the favourites by virtually everyone because of their overwhelming budget and their excellent players - into an ordinary team
.

2004/02/24

Amor e Ócio 

Afinal a propalada crise na blogosfera parece estar a ceder. Todos os dias surgem novos blogues que prometem dar novo vigor.

Desta vez é Rui Baptista que nos quer brindar com Amor e Ócio.

Bem Vindo!

O Vaticano, o anti-semitismo e os extremismos de sempre (agora em nova embalagem) 

Don Kenner líder dos Catholic Friends of Israel, escreveu este interessante artigo acerca de Israel e o Vaticano.

Não tenho a certeza se Kenner já estará ao corrente da mais recente tentativa revisionista do problema do anti-semitismo, ou seja, a lição que hoje nos foi dada sobre a arte-politicamente-correcta-de-se-ser-anti-semita-na-pós-modernidade-sem-o-parecer. Mas, com toda a certeza, depois de ler este piedoso esforço fará uma profunda revisão às suas posições.

País de Feiras 

EPC angustiadíssimo com a organização da Feira do Livro de Lisboa deste ano:

(...) Tendo em conta todos estes factores, o desastre começa a desenhar-se. Para evitá-lo, não há tempo a perder: é preciso decidir já e agir já. É preciso que editores, Câmara Municipal e Ministério da Cultura (que habitualmente se situa à margem deste processo) se reúnam amanhã e decidam para depois de amanhã. Sob pena de deitar a perder o esforço dos dois últimos anos.

Estamos pois à beira da catástrofe! E ou os poderes públicos intervêm desde já (traduzindo, preenchem o cheque) ou teremos uma desgraça nacional. Tudo o resto – a iliteracia que grassa, o insucesso escolar, a falta de qualidade e de exigência no ensino – são questões irrelevantes e que podem continuar a esperar. Fundamental é que haja colaboração entre editores (nem que seja imposta), participação de escritores cada vez mais numerosa, qualidade estética, boa programação cultural.

Uma sugestão: com todo esse fervilhar de ideias, feitas com umas coisas que viu com o Salão do Livro em França, porque não arregaça EPC as mangas e oferece os seus préstimos aos editores? Já agora, propondo-lhes (e aos contribuintes) este aliciante desafio: organizar uma feira de arromba, não receando a “concorrência” do Euro 2004 e do Rock in Rio, que custasse zero ao erário público e fosse um sucesso comercial. Para si próprio, a remuneração normal para quem assume os riscos de empreender: uma percentagem dos lucros da Feira ou o despedimento em caso de prejuízo.

Julgo que os editores aceitariam.

2004/02/23

Guilherme Silva: "O PSD Tem Uma Não-posição Sobre o Aborto"  


O mais eloquente símbolo do actual estado do maior partido deste sistema, Guilherme Silva, definiu hoje no Público a enigmática orientação do PSD acerca do aborto: é uma «não-posição».

Temporariamente, fiquei estupefacto pela lucidez do diagnóstico atendendo, sobretudo, ao gabarito intelectual (!?) do seu protagonista.

De facto, nesta questão o PSD tem-se destacado por não ser nem “Sim” nem “Não”, antes pelo contrário. Com a perspicácia que lhe é reconhecida, GM autenticou essa evidência.

Mas, apesar de tudo, a sua análise peca por defeito – é que não é só no "Aborto" que esta desmesurada plasticidade inteiramente táctica e fanaticamente “politicamente correcta” se afirma como imagem de marca do PSD.

A mesma descrição pode ser usada quanto às posições dos social-democratas acerca da Constituição Europeia, do “choque fiscal”, da reforma da Administração, da Regionalização, do cheque-educação no ensino superior, da ínfima mudança na legislação laboral, da pungente crise da Justiça.

É o mesmo espírito que explica a desonesta invenção de 2 ou 3 listas de espera que se ficcionaram na Saúde, a atitude contemplativa face aos incêndios florestais e a ardilosa gestão orçamental estilo “Vale e Azevedo” – vender património e baralhar os números para se apregoar que se diminuiu o défice!

São tudo “não-posições”, tidas por um “não-governo”, suportado por uma maioria parlamentar que é liderada por uma personagem que hoje mesmo, no Público, patenteou que não existe.

Terrorismo: pormenor insignificante! (2) 

Elucidativa resposta do CN, da Causa Liberal, às razões que apresentei aqui. Não concordo com algumas passagens, mas está devidamente alicerçada.

Parabéns 


Um ano na blogosfera é uma eternidade.

Corrida a Imperador 

Ralph Nader anunciou que irá (re)candidatar-se à presidência americana. Óptimo! Depois da desistência de Howard Dean, receava que os nossos amigos barnabeicos não tivessem por quem torcer...

LR e a ordem "natural" das coisas 

A)
Quando expresso opiniões acerca de qualquer tema – exceptuando, talvez, o futebol – tenho como motivação essencial o facto de serem exclusivamente... as MINHAS opiniões!

Não é pelo facto de militar no PND que aquilo que eu escrevo poderá ser visto como a visão dos «neo-democratas» ou a tentativa de atingir uma espécie de fim oculto de que o partido deverá retirar vantagem.

Não faço depender os meus pontos de vista de interesses de grupo ou da conveniência de qualquer partido. Por ser assim, em tempos que já lá vão, sofri uma condenação disciplinar noutras paragens partidárias.

É por isso que escrevo num blogue. É por isso que escrevo neste blogue, declaradamente liberal mas manifestamente apartidário.

Faço-o para poder usufruir da liberdade de escrita e de opinião, deliciosamente desordenada, sobre o que me apetecer. E quando me apetecer.

O que disse aqui sobre PSL/Durão/Cavaco é aquilo que eu penso. Não sei se é o que julgam os demais membros do PND.

B)
LR entende que estou equivocado. Disse porquê.

No fundo, LR acredita que Durão não está implicado, directa ou indirectamente, na actual investida santanista.

Que PSL está a fazer aquilo que a sua natureza lhe ordena. Que o inenarrável aparelho laranja está a pensar e a agir sem que Durão domine ou conheça.

Eu julgo que não é só isso. Parafraseando Borges, creio que há “uma mão atrás da mão” (as conspirações existem, caro LR! E por vezes, resultam...). Que tudo aquilo que está a acontecer é do conhecimento de Durão / Portas. E que só existe porque estes o permitem.

Acredito que Durão, na impossibilidade de lançar à Presidência da República as amansadas figuras de Figueiredo Lopes ou de Amílcar Theias – lídimos sucessores espirituais desse “colosso” político que é Jorge Sampaio –, tudo fará para impedir Cavaco Silva de se tornar num excessivamente incómodo PR. Empurrando Santana para o seu caminho.

Porque, das duas uma: ou PSL ganha e Cavaco Silva morre politicamente; ou PSL perde, ficando demasiado enfraquecido para lhe voltar a fazer sombra dento do PSD (a maior preocupação de Durão).

Na melhor das hipóteses perdem os dois e vence Guterres (mais inteligente, mas da mesma força “moluscular” de Sampaio, F. Lopes e Theias). Durão fica sempre a ganhar.

Mas, claro, tudo isto subsiste apenas num sistema de crenças. Estas são as minhas.

LR disse das suas.

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