2004/02/14

Prémio Nobel da Paz 

A propósito da sugestão da Causa Nossa quanto a certas indigitações para o prémio mais desconsiderado da actualidade, queria recordar que o terrorista e multimilionário Yasser Arafat já venceu esse troféu.

Tenho dúvidas sobre se assassinou mais pessoas antes ou depois de o receber...

Muro de Sharon e Muro de Berlin 


Estou a seguir, curioso, as infieis desavenças entre o Barnabé e o BDE acerca do muro que se está a construir em Israel.

Já aqui confessei que tinha algumas dúvidas quanto ao tema.

Mas há comparações impossíveis: o Muro de Berlin foi feito por uma ditadura infame para impedir o seu próprio povo de sair do país e viver em Liberdade. Era uma muralha que visava suster os que estavam do lado de dentro contra a sua vontade.

O muro que se está a construir em Israel merece críticas e origina múltiplas perplexidades - mas, inegavelmente, está a ser edificado por um regime democrático. Não impede os nacionais do seu país de sair: o seu objectivo declarado é a tentativa (desesperada, é certo) de limitar a entrada de terroristas em Israel.

É um muro defensivo - está a ser construído para travar os que estão de fora e que querem assassinar os que estão do lado de dentro. Estes têm todo o direito de se tentarem defender.

Lapsus Calami 

Diário da República, II Série, 30 de Janeiro de 2004.



Culpa do Gabinete do Ministra ou da Imprensa Nacional?

Presidenciais americanas? 


Qualquer semelhança com as presidenciais portuguesas é pura coincidência.

2004/02/13

Santana Lopes avança para a Presidência 


Segundo o que a Sic-Notícias acabou de anunciar, Santana Lopes deu uma entrevista ao Expresso em que anuncia que é candidato a PR.

Santana ter-se-á afirmado, a si mesmo e à sua candidatura, como uma espécie de sustentáculo da actual coligação em contraste com a eventual candidatura de Cavaco Silva.

Uma vez mais Santana dá o dito por não dito: recorde-se que não há muito tempo o presidente lisboeta teria garantido que não avançaria caso Cavaco Silva se candidatasse. Agora é candidato contra Cavaco Silva.

Santana Lopes é a face mais visível de uma estratégia que visa afastar qualquer possibilidade de impedir a fusão entre os dois partidos da coligação. De facto, o grande empecilho para esse desígnio é Cavaco Silva e os seus muitos apoiantes. Inclusivamente, os que ainda estão no próprio Governo.

Santana tem estado, inteligentemente, a ocupar o espaço dentro e fora do PSD que lhe permita avançar com a sua candidatura.

Cavaco Silva, bom governante e homem de calibre bastante superior, tem vindo a confirmar que é um péssimo estratega. Permitiu que o aparelho do PSD fosse conquistado pelos seus adversários. Deixou-se embalar naquela cantilena inacreditável que assegura que "ainda é muito cedo para falar em presidenciais". Provavelmente, chegou a acreditar nas promessas capciosas de Durão Barroso.

Agora a lógica política do sistema parecem jogar contra si.

Esta fuga para a frente de Santana tem como objectivo fazer com que Cavaco Silva desista de se candidatar.

Quer irritá-lo e desmotivá-lo. Na pior das hipóteses, obrigar Cavaco a vir à liça dentro dos terrenos armadilhados do aparelho do PSD. Dar a entender às múltiplas clientelas e aos emprego-subsídio-dependentes que Cavaco é o maior perigo possível para a continuação deste Governo.


Agora é que se vai ver qual a fibra do antigo primeiro-ministro. Chegou o momento de Cavaco Silva provar que é o líder com a grandeza que muitos dizem ter.

Vamos ver o que faz: se desiste, vergando-se à estratégia de Durão-Portas-Santana, e se limita a bradar "traição!"; ou, pelo contrário, se avança só, com a força do seu carisma, contra este sistema de intrigas e falsas promessas, com os poucos apoios desinteressados que conseguir obter e pede ao povo que decida nas urnas quem é que é digno de ser Presidente de Portugal.

O Porto 

«(...) cada investida dos políticos portuenses no Terreiro do Paço terminou quase invariavelmente com a submissão, a frustração ou até o fim da carreira política. Posto o que regressam à sua cidade e retomam a bandeira das lamúrias e lamentações contra o Terreiro do Paço. Lisboa e o centralismo têm algumas culpas, mas não têm todas.»

«Para bem do Porto é de desejar que nunca o poder central caia na tentação de os confundir com interlocutores válidos e representativos. É preciso que outra gente avance para que o Porto seja escutado e se lhe faça justiça»
(Miguel Sousa Tavares, no Público de hoje).

Assim, de repente, parece-me que tem MST alguma razão, ainda que, pelo seu texto, perpasse muito do «"mal de vivre" comum a todos os portugueses, esta sensação de que, oportunidade perdida atrás de oportunidade perdida, já nada mais resta...».

2004/02/12

Depósitos Bancários e disponibilidade  

O Francisco tem naturalmente "estrebuchado" pela impossibilidade de proceder ao levantamento de dinheiro da sua conta bancária, depois de ter feito um depósito em numerário no próprio dia e pela justificação “esfarrapada” que do Banco lhe deram.

Esta situação não é nova e é um caso flagrante do défice de informação prestada ao consumidor que, posto perante tal facto, se sente legitimamente defraudado. Mas há razões de índole técnica para que tal aconteça. Vejamos:

1. Os Bancos não são, como se sabe, instituições de caridade e o seu negócio é a compra e venda de dinheiro;

2. A sua principal fonte de aprovisionamento da “mercadoria” que transaccionam é através dos depósitos dos seus Clientes;

3. Feito um depósito, se o Banco não tiver melhor aplicação para aqueles fundos, canaliza-os para o mercado monetário interbancário, ou seja, empresta-o a um concorrente que tenha a tesouraria deficitária;

4. Este processo não é efectuado em tempo real, mas no dia útil seguinte após se compensarem todas as operações e se determinar o saldo líquido de tesouraria do dia, o qual pode ser positivo ou negativo;

5. Significa isto que, só a partir do dia útil seguinte é que o Banco aplicou os fundos do Francisco e também só a partir daí lhe terá começado a remunerar o seu depósito nas condições que eventualmente hajam acordado – daí o conceito de data-valor;

6. Os Bancos beneficiam de facto de um “floating”, mas que resulta da diferente aplicação e data-valor aos débitos e aos créditos. Ou seja, se na data em que o Francisco fez o depósito se vencesse por hipótese a prestação de um empréstimo, este ser-lhe-ia debitado com a data-valor do próprio dia, daí resultando o descoberto da sua conta por um dia e os inevitáveis juros a uma taxa “simpática”.

7. Refira-se porém que a norma do Banco de Portugal que permite estes procedimentos não é imperativa, havendo Clientes (basicamente grandes empresas) que conseguem negociar os créditos com data-valor do próprio dia.

8. Naturalmente que estes mecanismos, pela complexidade técnica que revestem, não conseguem ser explicados por um qualquer “maçarico” dos “call centers” com quem o Francisco terá falado.

9. A melhor alternativa consistiria talvez na obrigatoriedade de os Bancos disponibilizarem informação sobre o funcionamento destes mecanismos. Mas seria ela “digerível” por toda a gente?

10. De qualquer forma, não se encare a resignação do Francisco (“é a vida”) como uma fatalidade. Se há sector neste País que é competitivo face aos seus congéneres estrangeiros e que mais evoluiu nos últimos anos na qualidade do serviço ao Cliente e na prestação de informações, esse sector é indiscutivelmente a Banca. E todos temos ganho com isso, dando-lhe também obviamente a ganhar.

Pontos de vista 

Miguel Cadilhe, no Jornal de Negócios:
«Fui e sou adepto da regionalização e tenho a profunda convicção de que a ideia há-de voltar

Maria Filomena Mónica, no Público:
«Há séculos que os políticos portugueses se entretêm, sem que alguém os conteste, a exaltar os méritos da devolução do poder, esquecendo que, deixada a si, a descentralização conduz à injustiça, para não falar da ineficácia, da corrupção e do compradrio. Por razões eleitorais, jamais se mencionam as virtudes da centralização. Mas elas existem.».

Preferia concordar com Miguel Cadilhe, ainda que "Regionalização" e "descentralização" não sejam bem a mesma coisa.

INCRÍVEL: MICROSOFT COM MEDO DA ESTRELA DE DAVID!!! 

A Microsoft resolveu incluír a Estrela de David no catálogo dos "unacceptable symbols" no mesmo momento em que retira a cruz suástica desse INDEX PROIBITORUM revisitado. (Ver Jaquinzinhos e Aviz)


Protestos contra esta atitude que o pudor me impede de qualificar podem ser endereçados para:

- clientes@microsoft.com da MicrosoftPortugal, e para o Costumer Support do site da Microsoft.

O Estado da Blogosfera Portuguesa 

Este artigo merece reflexão. Tomamos a devida nota e vamos agir em conformidade.

2004/02/11

Título do dia 

«"Bin Laden das Beiras" condenado a 11 anos e meio de prisão»

Os pesadelos do partido democrata 


John Kerry 


Cortesia Scott Stantis, The Birmingham (Ala.) News


Cortesia Mike Smith, Las Vegas Sun, for USA TODAY

2004/02/10

O ser mais português no Portugal de hoje 


Queria escrever esta posta desde segunda-feira de manhã mas as circunstâncias do dia só me permitiram abrir o computador agora.

Comentar uma prosa de EPC não é uma tarefa simples. Muitas vezes tenho sentido essa tentação, mas domino-a por a considerar redundante.

Afinal, EPC incarna a razão fundamental de estarmos aqui - se atentarem bem ao texto do nosso "estatuto editorial" (em cima, à esquerda) verificarão que o "MOURO" que aí descrevemos é a figura de EPC - com eventual exclusão da parte que se refere à «superstição mascarada de religião». Mas, tudo o mais assenta-lhe como uma luva. Donde, dar "Santiago nele" seria uma redundância, pois já o fazemos sempre que postamos sobre qualquer tema.

EPC tem alguma razão quando advinha que Mourinho não é português. Não é, de facto, um português de agora. Pelo contrário, EPC é-o. Na perfeição.

Mourinho é um lutador. E um vencedor. Tudo o que é conseguiu-o com vontade, com garra. Até ser considerado o melhor do mundo, arrostou com o desdém dos instalados. Contra as dificuldades valeu-se de si. Fez-se a si mesmo, com o seu esforço. Não gosta de perder. Nem de empatar.

EPC representa o seu contrário. Fala e não faz. Não luta e não faz. Não ganha e não faz. Adora empatar. Esteve sempre na crista da onda. Onde era política e intelectualmente correcto estar. De tanto se tentar parecer com o que está, tornou-se na imagem adiposa e caduca do status.

Quando EPC vê uma dificuldade, adula-a. Perante uma réplica, consensualiza. Para ele, todos têm razão e a razão só pode estar com ele. É socialista, perante os socialistas. Foi comunista quando isso era um penacho. Foi cavaquista quando tal lhe concedeu mordomias. Até já se atreveu a dizer-se liberal (não vá o Diabo tecê-las...).

EPC é culturalmente omnipresente e antropologicamente intemporal. Ele é um modo intransponível de se ser português. Usa as suas crónicas para propagandear os seus "amigos" (que o premeiam, que o premeiam!). Foi descrito por Eça quando imaginou o "Dâmaso". Foi pontapeado por Camilo sempre que desprezou alguém. Nesse tempo "ele" era maioritário, hoje abusa da sua posição dominante no mercado.

Ele é o eterno seguidista com vagos fumos de sabedoria e muitas peneiras. Ele é o inevitável basbaque que assegura ter previsto o acidente depois deste ter acontecido. Ele é o inteligente de serviço das barbearias de província. Que insinua, mas nunca afirma. Que sentencia, mas nunca é frontal.

Ele é, sobretudo, a inveja. A dor aguda em observar a vitória dos outros. Conseguida sem compadrios mascarados de "solidariedade", sem urdiduras, nem intrigas. Ele é o paradigma da falência do nosso carácter colectivo. Por isso, EPC reina nos tempos que estão.

Também por isso, tantos portugueses se sentiram vingados e bovinamente felizes quando EPC aviltou José Mourinho, hoje, nas páginas do Público.

2004/02/09

Défice público 

Défice público elevado é dinheiro dado aos lóbis. Os lóbis querem consumo: mais aumentos de vencimentos sem relação com a produtividade, mais medicamentos gratuitos quer curem quer não curem, mais rotundas municipais sem trânsito para distribuir, mais piscinas locais sempre subutilizadas. Mais consumo é menos produção de bens transaccionáveis - isto é: de bens que podemos exportar.

Luís Salgado de Matos tem carradas de razão. Mas vamos ter de bater no fundo. Tal como ele, também estou céptico:

O défice é uma dieta perigosa: sabe-nos bem quando comemos e só anos depois percebemos o mal que nos faz. O leitor perceberá a vantagem das boas contas quando deixar de receber a pensão de reforma - ou quando tiver a certeza que nunca a receberá. Esperemos que não o perceba tarde demais. Perceberá a tempo?

Despesa pública 

Se Portugal tivesse um Estado tão eficiente como a média de 23 países seleccionados da OCDE, bastar-lhe-ia 80 por cento da despesa pública actual para obter os mesmos resultados

Imagine-se então que baixávamos a despesa pública para 50% da actual. Faríamos um figuraço!...

Nova modalidade 

O futesal é a modalidade emergente! Está aqui, está a destronar o futebol. O Benfica é campeão, o Sporting também compete, o Porto não existe. Querem melhor harmonia?

Mitos e Sebastianismos 

António Vitorino anda em promoção! Quem estiver atento aos nossos media, constata que, dia a dia, mais elevados são os píncaros em que o homem é colocado. Na Europa não há melhor que ele para presidir à Comissão Europeia! De resto, não se fala de mais ninguém, não há quem ouse avançar para tal cargo, sabendo que ele está na corrida...

Será pois incompreensível que ele venha a ser preterido. Aliás, isso só acontecerá por falta de empenho do governo. Empenho??? Mais do que isso, Durão deve impôr António Vitorino aos outros países. E se não conseguir (o que jamais se perdoará!), deverá mantê-lo como comissário europeu.

Se Vitorino voltar, Durão e Ferro que se cuidem! Ele será o grande salvador para todos. Todos? Não, emergindo do aparelho profundo, alguém resistirá ainda e sempre ao usurpador e começa desde já a marcar o terreno...

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