2004/02/01

Direitos de Autor 

É prática corrente entre os blogues (e não só) a utilização de imagens de outros sites, estabelecendo um simples link. Isto pode causar problemas no servidor onde a imagem se encontra alojada, que passa a ser acedido com maior frequência, para benefício de outros (no caso, dos bloggers que linkam imagens alheias) e prejuízo do "legítimo titular", que vê a sua largura de banda reduzida.

O problema é que o titular da imagem original pode modificá-la, mantendo apenas o seu nome.
O que pode acontecer então é a imagem original ser substituída, por exemplo, por esta:



Um exemplo pode ser visto aqui.

Ainda Jorge Silva Melo 

O Manuel, do De Direita acusa JSM de incoerência (recusou o prémio do Instituto da Artes, mas não dispensa os subsídios).

Terá o Manuel alguma razão (tal como o Dupont). Mas o que elogiei aqui, não foi a coerência (ou falta dela), mas a atitude. Não é todos os dias, num país de cultura subsídio-dependente, que se vê alguém recusar um prémio estatal (prémio esse que não é uma simples "estatueta", mas a módica - mas não negligenciável - quantia de 25 mil euros), pelo simples facto de ela vir do Estado. Independementemente de se entender que o Estado deve ou não subsidiar certas acividades culturais, pode discutir-se a legitimidade do mesmo Estado atribuir este tipo de prémios, que não vejo para que servem. Alguém vai ou deixa de ir ver um espectáculo porque o Estado, qual crítico de mãos largas, lhe atribuiu um prémio?

Do alto do pedestal da ética e dos princípios 

O Jaquinzinhos excedeu-se. Levado pelo entusiasmo clubístico imaginou que «O Sporting desta vez foi o melhor».

Depois, enlevado numa fúria moralizadora, sentencia que «Mourinho até pode ser um excelente treinador, mas tem mau carácter. Rico em técnica mas pobre de espírito».

Pois. Foi exactamente o que disseram de Carlos Queiroz há uns anos. Farto, foi-se embora e hoje treina a melhor equipa de todos os tempos.

Os ricos de espírito ficaram por cá no seu rame-ramesinho a fingir que fazem, vivendo de favores e de casos, sempre a desdenhar e apoucar o mérito de quem o tem.

Por mim, prefiro a análise do Blog Sem Nome.

2004/01/31

Ser português 

Se Mourinho se for para outras paragens e continuar vencedor, afirmativo e confiante, passará a ser um dos emigrantes de luxo, ou seja mais um dos "heróis" que varremos lá para fora (Queiroz, Damásio, Magueijo, etc.).

Ou vamos finalmente perceber que para se ser como ele é, mostra-se necessário ser completamente diferente do que todos temos de ser por aqui?

31 de Janeiro 

De 1891. Revolta liberal e republicana. No Porto. Contra um regime decadente e corrupto. Que já não encontrava soluções para ultrapassar ou camuflar as suas insuficiências.

Comentando o golpe, disse Sampaio Bruno:

«A canalha (o povo, a arraia miúda) é a esperança da pátria. Ela tem a sinceridade, a convicção, a confiança, o desinteresse. O seu advento na cena política é única garantia duma remodelação recuperadora».

Hoje a crise é muito semelhante, mas já nem sequer há a confiança duma "recuperação" com o povo que temos da forma que está.

Grande vitória de Lucílio Baptista 

Sporting e Porto empataram. Um senhor de nome Lucílio, que há um ano atrás tinha sido o principal protagonista do encontro entre estas duas equipas, teve uma atitude inacreditável ao deixar seguir o jogo com vários jogadores distraídos face ao estado de João Pinto culminando, no mesmo lance, com a marcação de um penalti que nunca existiu.

Mourinho teve um ataque de fúria. Deixou o Porto em maus lençóis ao dizer que «ia pedir ao presidente para o deixar ir embora no final da época».

Mas quem não se sente não é filho de boa gente...

2004/01/30

O mal em video 

Vejam estas imagens do horror e do mal, na Rua da Judiaria. Se conseguirem.

Gestão danosa arquivada no caso Lusófona 

Há tempo perguntei se ainda alguém se lembrava de como tinha começado a propalação do caso "Casa Pia". Poucas respostas obtive.

A Grande Loja, uma vez mais, mostrou que anda bem informada. Mas é preciso recordar a história toda, toda.

Agora Ramalho Eanes processa Teresa Costa Macedo por esta afirmar aquilo que eu ouvi o próprio ex-Presidente da República confirmar recentemente, numa entrevista em directo a Mário Crespo, na Sic-Notícias.

O jogo de sombras continua.

Ignorância...ou falta de vergonha?! Novamente, o caso da M. da Justiça 

Diz o nosso amigo PMF:

A propósito da novela que envolve as contribuições da Segurança Social retidas indevidamente pelo Ministério da Justiça (na estranha tese da Ministra, “dinheiro do Estado”, retido pelo próprio Estado – ou seja, dizendo de outro modo, tratar-se-ia apenas de um mero problema de arrumação em gavetas diferentes, do mesmo armário...), o Cidadão Livre já disse quase tudo...

Mas, o que nem o Cidadão Livre, nem a oposição, nem – salvo distracção minha – ninguém parece ainda ter dito é que, independentemente de interpretações jurídicas e formais, de disputas técnico-académicas e, para além de se saber ou não se há intenção, culpa, mera negligência ou seja lá o que for, a conduta do Ministério da Justiça é profundamente reprovável em termos de sã governação e, consequentemente, irresponsável sob o ponto de vista político!

Antes dos problemas e das questões jurídicas, há um problema político: se dúvidas ainda existissem de que, em matéria fiscal, o Estado (pelo menos, este nosso Estado) não é uma pessoa de bem, elas ficaram esclarecidas. E já não sei o que é que é mais grave: o facto em si, ou as justificações descabeladas da Ministra – como se tudo tivesse sido pensado e superiormente decidido, após prévias e iluminadas interpretações jurídicas!!

Sejamos claros: não sei se há ou não crime, sob o ponto de vista jurídico-fiscal, mas sei que:

não é líquido que as contribuições para a Segurança Social sejam do “Estado” e não dos trabalhadores (que as devem, é certo) e/ou da Segurança Social (credora); a denominada “retenção na fonte” é, como se aprende, uma mera técnica operativa de cobrança de receitas, por conta de outrém...

obviamente, como bem sabe a Sra. Ministra, “Estado” (por mais artificialmente lato e não rigoroso que seja o conceito) e organismos autónomos, assim como autarquias, sociedades de capitais públicos, etc., etc., etc. não são juridicamente a mesma coisa!

Ainda que fossem – mas não são! – é politicamente muito reprovável que se exija um padrão de comportamento aos cidadãos e se despreze tal padrão, em causa (casa) própria - sobretudo, em matéria fiscal ou, como tradicionalmente se dizia, “parafiscal”. No fundo, o “Estado” português é como o Frei Tomás e, a todos nós, disse-nos pela boca da Ministra “olha para o que eu digo, não para o que eu faço”!

Como refere o Cidadão Livre, não se percebe porque é que a não entrega ao seu destinatário legal do dinheiro retido aos trabalhadores, pelo Ministério, era fundamental para a manutenção dos postos de trabalho (?!). Será que sem essa redução salarial, ainda que temporária (porque, no fundo, o que houve foi isso: redução salarial imposta ilegal e unilateralmente e, ainda por cima, de forma camuflada!) o Ministério (ou seja, o tal “Estado”) não tinha dinheiro orçamentado para pagar aos seus trabalhadores? Teria que – como tantas empresas no nosso país – retardar o pagamento das suas obrigações, rectius, retardar ainda mais do que o que já retarda, o cumprimento das suas obrigações? Será que corria o risco de as não poder cumprir (mas, afinal, não cumpriu!)? E se os critérios da nova Lei/Código das Falências, já aprovado em Conselho de Ministros – que, entre outros desideratos, pretendem moralizar as relações económicas e evitar situações de concorrência desleal - se aplicassem também ao “Estado”? ... .

PMF

Inimputável? Antes fosse! 

O CDS-PP anunciou que vai processar Francisco Louçã por este ter classificado a Ministra da Justiça de «inimputável».

Também não me parece que o epíteto dirigido a Celeste Cardona tenha correspondência. No caso em apreço, suponho que a ainda Ministra da Justiça gostaria de o ser. É que o estado de inimputabilidade costuma conferir uma auréula de desresponsabilização genérica aos que aí se encontram. O que não é o caso de Cardona, apesar dos múltiplos esforços que tem feito nesse propósito.

Mas, pelo contrário, politicamente, esta foi a gota de água que fez transbordar o copo das omissões, silêncios, tautologismos, inacções e marasmos de Celeste Cardona perante a mais grave crise da Justiça portuguesa nesta III República.

A sua estratégia de "não se meter" (ancorada numa visão do princípio da separação dos poderes bastante deslocada), a escolha de um discurso "redondo" intencionalmente sem significado, face ao estado calamitoso das coisas que estão a seu cargo, revelou-se contraproducente.

Vemos Durão Barroso, a oposição, as várias dimensões da comunicação social, Jorge Sampaio e os seus avisos de Cassandra mal amanhada, o homem da rua, tudo e todos falam e comentam o que se passa na Justiça - a Ministra da dita, não!

E Louçã tem toda a razão quando lembra que nenhum responsável do Governo a defendeu hoje no Parlamento. O que é por demais esclarecedor.

«O Miguel Desistiu. Life is too short» 

A não perder. Um grito de revolta liberal no Jaquinzinhos.

Esclarecimentos insuficientes. 

Os do Eclético.

A minha resposta é classica: «Olhe que não, olhe que não».

Outra vez o Vaticano 

Por essa ordem de ideias, o Vaticano cometeu genocídio por omissão. É que, enquanto as farmacêuticas produziram em 20 anos dezenas de medicamentos contra a SIDA, o Vaticano não produziu nenhum.

Indústria Farmacêutica 

Excelente resposta, como seria de esperar, do CN, tal como o link, para o não menos excelente texto de Luís Aguiar Santos, disponível no site da Causa Liberal.

Todavia, o próprio Herculano distinguia a "propriedade dos inventores" da "propriedade literária".
O critério da tangibilidade (só haveria propriedade sobre "coisas") é hoje muito duvidoso. Pense-se nas acções de sociedades, meramente escriturais (já nem suporte em papel têm) ou, como em tempos se discutia nas Faculdades de Direito, a propósito do crime de furto (que pressupõe a apropriação ilícita de certa "coisa"), na electricidade, ou, mais recentemente, nos programas de software (reprodutíveis ad infinitum, sem que a sua utilização, por cada um dos outros utilizadores, seja prejudicada).

É certo que "as ideias" não são um bem escasso (ainda que às vezes pareçam sê-lo), mas a utilização de uma ideia, tida inicialmente por outra pessoa, pode, parece-me, prejudicar a sua utilização pelo primeiro.

A limitação temporal de (alguns) direitos de propriedade intlectual (nomeadamente dos direitos de autor) não transforma necessariamente a propriedade intlectual numa propriedade imperfeita. Pode, pelo contrário, entender-se que essa limitação temporal traduz, isso sim, uma limitação autoritária imposta pelo Estado (uma espécie de expropriação por utilidade pública a favor da "colectividade").

Na verdade, não existe "propriedade perpétua". O direito de propriedade só sem mantém enquanto o proprietário fizer uso da sua propriedade (ou pelo menos, enquanto nenhum outro conseguir apropriar-se e manter a posse da "coisa" sem a oposição do primeiro titular durante certo lapso de tempo).

Assim é (ou podia ser também) com a propriedade industrial.

Atitude Louvável 

Jorge Silva Melo tomou de facto uma atitude louvável, como abaixo realçou o CL mas, infelizmente, ele constitui neste País uma raríssima e honrosíssima excepção. Senão veja-se, na mesma notícia, a reacção de outros dois “artistas”:

Olga Roriz e Rui Horta não recusam a distinção mas deixam uma mensagem clara - os prémios, embora muito significativos, são menos importantes do que um apoio continuado que permita aos artistas desenvolver a sua actividade sem "estrangulamentos".

Porque não haveremos, também nós, de reivindicar ao contribuinte um apoio continuado, que nos permita desenvolver sem estrangulamentos esta nova e mui nobre arte de blogar?

Federalismo, Nacionalismo, Iberismo e Liberalismo 

Por vezes dá-me ganas de postar sobre estes temas, o que significa ter de queimar pestanas. Mas quando finalmente me decido, já o danado do Rui se me antecipou, expondo de uma forma mais clara e indiscutivelmente mais brilhante do que eu faria. Comodamente, só me resta assinar por baixo.

Ainda o Vaticano 

Sem querer entrar na polémica (mas entrando...) sobre a (aparente) dualidade do Vaticano ao acusar a Indústria Farmacêutica de genocídido e, ao mesmo tempo, de condenar o uso do preservativo (uma das duas formas de prevenir o contagio em massa da SIDA - a outra é a mudança de comportamentos, preconizada pelo mesmo Vaticano...), não posso deixar de apontar esta aparente (?) contradição do CN, na Causa Liberal:

«Quarto: as patentes têm uma fraca justificação para a sua existência e parte dos preços praticados pela indústria farmacêutica deriva exclusivamente da atribuição de um monopólio artificial pelos Estados.».

As patentes são uma das formas de Propriedade (dita Industrial, no caso). Protegem os direitos do criador (ou do descobridor) de certo invento ou modo de produção. Na aparência, resultam da atribuição de um "Monopólio do Estado". Mas a mesma crítica poderá ser feita a qualquer outra forma de propridade. É o Estado, enquanto último (e por vezes único) garante dos direitos individuais, nomeadamente do direito de propriedade, que cira (ou, pelo menos, permite manter) o tal "monopólio artificial.
Posso antecipar, conhecendo o CN, a objecção de que o "direito de propriedade" não precisa necessariamente da tutela estadual para se manter e, muito menos, para se justificar.

Todavia, não vejo razões que justifiquem o tratamento diferenciado da propriedade sobre um imóvel, por exemplo, da propriedade sobre uma invenção. E não me parece que CN aceite aceite como boa esta proposição:

"Toda a propriedade deriva exclusivamente da atribuição de um monopólio artificial pelos Estados."

Nota: Não quero com isto defender os preços praticados pelas companhais farmacêuticas.

Ora aqui está uma decisão de louvar nos tempos que correm 

«O actor e encenador Jorge Silva Melo recusou o Prémio Almada para teatro, atribuído ontem pelo Instituto das Artes (IA), no valor de 25 mil euros. No dia em que foram também divulgados os premiados nas áreas da dança e da música, o director dos Artistas Unidos (AU) preferiu falar da relação entre o poder político e os artistas, garantindo que "não compete ao Estado distinguir uns em detrimento de outros"»
(cortesia Artistas Unidos)

"Não gosto de prémios de Estado porque acredito - fui educado assim - que o artista é por natureza um traidor ao poder instituído", disse ainda Jorge Silva Melo.

Miguel Cadillhe 

II

2004/01/29

Sem mais 

«Poucos ficam indiferentes. É quase como se o húngaro fosse a nossa Princesa Diana.

E pergunto-me: e se fosse o Figo ou o Nuno Gomes? Teriam direito ao mesmo tipo de emoção caso se tratasse da morte em combate de um dos nossos GNR's no Iraque?
»

Ver OS TELHADOS DO VATICANO no Aviz.

Quando li já tinha postado. Subscrevo.

Esclareçam-me, por favor! (2) 

Quem é a figura ligada ao CDS-PP que anda já a fazer convites - aparentemente muito sigilosos - para o futuro gabinete do Ministério da Justiça?

Esclareçam-me, por favor! 

É apenas impressão minha ou o Dr. Miguel Cadilhe, nos últimos dias, anda-se a desmultiplicar em críticas e sugestões acerca da arte de bem governar o país?

Trata-se de um simples "lavar de alma" ou existirão novidades nos próximos tempos?

«Vaticano acusa indústria farmacêutica de praticar genocídio em África» (?) 


Magnífica acusação esta.

Sobretudo pelo despudor que revela, já que é emanada pela mesma organização que reprova veementemente a utilização do preservativo em África ou em qualquer outro lugar do mundo...

Saliente-se, ainda, a vocação socializante deste anátema ao pretender fazer depender o êxito da luta contra a epidemia da abdicação voluntária de lucros por parte das empresas.

Dá vontade de perguntar ao "Vaticano" se estariam dispostos, por sua vez, a prescindir de parte das suas múltiplas riquezas para compensar essa indústria e ajudar "África".

Ai, Weber, tanta, tanta razão, quase 100 anos depois!

Cardona diz que não existiu «intenção fraudulenta» (II) 

Continuo com dúvidas acerca da existência ou não de crime neste caso. Ainda que não se tenha verificado uma intenção de apropriação dos dinheiros em causa, houve um manifesto desvio destes em relação ao seu destino legal e temporalmente definido. O M. da Justiça não tem o poder de reter verbas, a seu bel prazer, que deveriam estar à disposição de um outro serviço público a partir de um certo prazo.

Do que não tenho dúvida nenhuma é que o princípio da legalidade, que vincula toda a Administração Pública, foi violado.

Do mesmo modo que a atitude do Ministério da justiça e a defesa que está a fazer do seu erro constituírem uma "desgraça" política para o Governo.

Ver a posta "Ignorâncias" no Cidadão Livre.

2004/01/28

Greves (II) 

O Besugo procurou responder às minhas questões (nada) inocentes sobre as greves. Claro que as perguntas tinham as (minhas) respostas implícitas, se bem que algo diferentes das do Besugo. Todas discutíveis, sem dúvida, mas que não me importo de as lançar à discussão. Vejamos então, numa forma algo metafórica:

1ª - Porque será que os sindicatos, sistemática e oportunisticamente, marcam as greves para a 6ª feira?

É a de mais fácil resposta que a Lolita, num louvável acto de “solidariedade dragoniana” (espero que um dia também liberal) já antecipou: puro oportunismo, com ou sem advérbios!

2ª - Porque será que as greves ocorrem geralmente no sector público, por sinal onde os empregos são mais seguros?

Mais um bom tiro da Lolita (vou à bola consigo!), mas um nadinha desviado da “mouche” (pode ser à (re)inauguração do Dragão?).

Aqui há outras variáveis a levar em conta, designadamente a qualidade da gestão, a focalização no cliente e o lucro. Numa empresa privada, sabe-se quanto custa um dia de greve, e sabe-se que ele é suportado por um número reduzido de pessoas. Melhor dizendo, conhecem-se exactamente os custos directos da paragem da laboração, mas temem-se sobretudo os custos induzidos. Estes podem ser vultuosos e comprometedores quando mexem com a satisfação e o bem estar do Cliente, esse gajo chato, mimado e embirrento que está sempre a pedir colo. Mas ele sabe retribuir as festinhas e os mimos, numa base directamente proporcional ao nível da meiguice, através de uma curiosa relação de troca chamada preço que, por sua vez, gera uma coisa chamada lucro. Isto é algo de que uns tipos chamados gestores ou executivos necessitam como de pão para a boca, pois lhes permite mimar também os senhores do capital e os oferentes do labor, pondo-os mui contentinhos da vida. Dito de outra forma, clientes satisfeitos significa geralmente accionistas e colaboradores também satisfeitos, funcionando aqui o lucro como elemento simultâneamente moralizador, motivador e potenciador de um ciclo virtuoso da riqueza.

Obviamente que uma greve perturba toda esta harmonia celestial. Conhecem-se os lucros cessantes por cada dia de paragem mas, muito pior do que isso, é o cliente, à falta de mimo, virar-se de imediato para outro lado onde estará fatalmente o maldito de um concorrente, prontinho a dar-lhe colo e a passar-lhe a mão pelo pêlo. Pior que tudo, ele pode gostar das novas meiguices e nunca mais nos liga peva.

Nestas alturas, a malta do capital, que sente de imediato quando lhe estão a ir ao bolso, costuma ser implacável: de uma forma quase sempre clarividente e raramente às cegas, trata de pôr de imediato no “olho da rua” os... gestores! No fundo a quem competia gerir adequadamente os conflitos e promover a paz social e a motivação dos trabalhadores. Ou seja, os gestores estão sempre no fio da navalha e, no seu próprio interesse, jamais descurarão o contexto, interno ou externo e farão sempre tudo para prevenir a emergência de conflitos grevistas. Isso custa dinheiro e sabem que lhes pode custar o “tacho”.

Num organismo público ou empresa pública, o panorama altera-se e de facto o ambiente é muitas vezes sujo, bafiento, doentio. Desde logo, não existe aqui a pessoa do cliente, mas algo indiferenciado chamado “Utente” (nome mais horrendo!) que, ao contrário daquele, não tem qualquer hipótese de escolha, nem lhe passa pela cabeça formular a mínima exigência: come, cala, paga e não bufa! Colo, mimos, meiguices? Nunca o desgraçado do utente soube o que isso era, habituado a que o funcionário mal encarado lhe fale sempre do cimo da burra, sempre pronto a mandá-lo embora pela falta do enésimo impresso, quase nunca disponível a prestar ajuda, a esclarecer a dúvida, a facilitar o processo. É que isto de atender utentes é uma chatice! Perde-se um tempo precioso, bastante necessário para organizar os processos de acordo com o estabelecido no Código, no decreto-lei, na portaria, no despacho, na circular. É importante que o chefe veja que está tudo em conformidade com as regras e os normativos, para manter o nível de avaliação – sempre pelos máximos, claro.

Lucro é um termo banido por estas bandas. Serviço público, geralmente sinónimo de monopólio público, não é para dar lucro, mas para ser custeado pelo contribuinte, ainda que este não o utilize e passe muito bem sem ele. Exemplo paradigmático: a RTP. Não existindo o objectivo lucro, quase nunca a concorrência, nem uma filosofia de meritocracia, por que raio haveria de haver procura de eficácia e de qualidade? Tratemos mas é de convocar já uma greve em protesto pelo mísero aumento de € 0,12 no subsídio de refeição. Representa 3,35%, um crescimento acima da inflação esperada? Não interessa! Doze cêntimos é algo que não se vê, é um insulto aos trabalhadores!

Outra diferença fundamental do sector público é que quem sofre os efeitos das suas greves não nota que lhe estão a mexer no bolso. Se uma greve do Metro de Lisboa custou 5 milhões de euros, isso representa meio euro por cada português, uma quantia per capita anestesiadora quanto baste para prevenir qualquer movimentação de accionistas (neste caso contribuintes) com vista à demissão dos gestores (neste caso o governo) por terem falhado na concertação social. E as greves vão-se sucedendo, o efeito anestésico vai persistindo (até quando?) e vamos evoluindo alegremente neste ciclo vicioso da pobreza.

3ª - Se não estão satisfeitos com a política salarial, porque não se mudam?

Aqui a Lolita não percebeu muito bem a jogada e ficou em off-side. Mas as posições ajustam-se e vou à bola consigo na mesma.

A minha questão encerra toda uma crítica a uma postura muito portuguesa de recusar a mudança latu sensu, de não assumir riscos, da recusa de sacrifícios em proveito próprio, da exigência que outros os façam por nós. Mesmo que o sector privado tivesse capacidade para absorver instantâneamente tudo quanto é funcionário público, poucos optariam pelos riscos e esforços inerentes à meritocracia privada em detrimento da apagada e vil tristeza do confortinho e lassidão públicas.

E acredite meu Caro Besugo, a reacção que descreve da assembleia a quem imaginariamente perorou é muito realista e retrata na perfeição a nossa postura de bons e resignados “paus mandados”. Não sabemos nem queremos ambicionar mais, recusamos terminantemente o esforço em benefício próprio, aumente-se antes o “welfare”, ou seja, o nosso benefício pago por outrém. Sabendo embora que o disse de forma irónica, não concordo com a sua valoração do nível intelectual dos funcionários públicos. Em média, as suas capacidades serão idênticas às dos restantes cidadãos, nacionais ou estrangeiros. Só que, muito racionalmente, eles procuram tirar partido das irracionalidades do sistema e da existência de um Estado-paizinho, assim tornado por força da Constituição.

Estados paizinhos e protectores que vão infelizmente existindo por essa Europa fora e, se ainda não nos envergonham, menorizam-nos perante o nosso (dos liberais, entenda-se) amado Império. Um indicador interessante, será compararmos o número de empresas surgidas nos últimos 25 anos de ambos os lados do Atlântico e que se tivessem entretanto tornado referências a nível mundial, marcas com notoriedade à escala global. Vasculhando rapidamente na memória (e admito que ela não ande famosa), consigo lobrigar na Europa a finlandesa Nokia, a alemã SAP, a italiana Bennetton e a nossa vizinha galega Inditex, que detém a conhecidíssima Zara, entre outras marcas. Apenas 4 empresas, das quais só as 2 primeiras actuam na área das tecnologias de informação. Refira-se que a Nokia tem muito mais de 25 anos, mas a sua reconversão de fábrica de pneus (!!!) em empresa de telecomunicações é bem mais recente. Virando-nos para os Estados Unidos, vem-nos rapidamente à memória a Microsoft, a Apple, Dell, Compaq, Intel, Sun Microsystems, Cisco, Amazon, Yahoo, Google, CNN, AOL, etc. Curiosamente, tudo empresas que actuam nas áreas das novas tecnologias, que incorporam inovação e conhecimento às carradas e exigiram uma grande capacidade de assumpção de riscos. Esta especial capacidade para inovar e para arriscar faz uma enorme diferença em termos de criação de riqueza e de crescimento económico, de resto bem expressa no maior crescimento do PIB americano face ao europeu no último quarto de século.

Palpita-me que o Bill Gates não teria poupanças muito superiores a 1.000 euros quando criou a Microsoft numa garagem no início dos anos 80. Mas não fosse ele, e talvez este nosso prazenteiro debate blogosférico fosse hoje inviável.

Cardona diz que não existiu «intenção fraudulenta» 

Se a Ministra da Justiça (?!) se está a referir à intenção directa em praticar um crime, estou de acordo. Neste caso parece estarmos perante a figura de dolo eventual.

As justificações de Cardona aqui. Outros comentários daqui a pouco.

Conclusões do relatório Hutton: vitória de Tony Blair 

Disponíveis aqui (sumário das conclusões aqui).

Decididamente, hoje é um dia triste para a esquerda folclórica de todos os lados.

Depois da derrota do seu ídolo americano (?), Dean-o-novo-garganta-funda, o relatório Hutton desculpabiliza Blair e o seu Governo do suicídio de David Kelly e, ainda por cima, responsabiliza a BBC pelo seu comportamento leviano nessa questão

O presidente da estação televisiva britânica, Gavyn Davies, já anunciou oficialmente a sua intenção em se demitir.

Howard Dean: mais garganta do que coração 


Após mais uma esmagadora vitória em New Hampshire, tudo parece indicar que John Kerry caminha para ser o candidato democrata que irá enfrentar George W. Bush em Novembro.

Para desespero de uma certa esquerda excessivamente pró-activa nas causas que costuma fabricar, as posições de Kerry e Bush em muitas questões fundamentais não são assim tão divergentes - como acontece quanto à intervenção no Iraque.

O "seu" candidato do coração, o infiel Howard Dean, apenas conseguiu obter 26% contra os 39% de Kerry. Donde se concluiu que é um político com mais garganta do que outra coisa - para ouvir o "Dean Scream" em várias versões ritmadas clique aqui.

Teresa Heinz Kerry, recentemente muito atacada por alguma imprensa norte-americana, poderá ser a portuguesa mais próxima de ascender a um lugar de topo no panorama mundial desde sempre. No entanto, este Mata-Mouros (não sei a preferência do CL e do LR) ainda vai preferindo o candidato republicano.

Mas, enfim, tudo menos Howard Dean:

Itália ou Portugal? 

Sei que esta peça não é nova, mas permanece sempre actual. Imaginem se o seu autor estivesse familiarizado com o nosso país. Clique aqui e divirta-se com a sensação de que não estamos sós.

Onde é que eu já vi isto 

John Kerry volta a derrotar Howard Dean, desta vez em New Hampshire, com mais de 10% de votos de diferença.
Apesar disso, segundo o Boston Globe, «impressed by the rousing cheer he received from his staff and supporters tonight at his New Hampshire campaign headquarters, runner-up Howard Dean said, "We really are going to win this nomination, aren't we?"».

2004/01/27

Ministério da Justiça sob suspeita de crime fiscal 

Apesar dos apelos via mail para me pronunciar acerca da eventual retenção ilegal de verbas - o que poderá consbstanciar a prática de um crime - devidas à Caixa Geral de Aposentações (ou à Segurança Social?) por parte do Ministério da Justiça, não me parece que este seja o momento de o fazer.

Os dados que a imprensa hoje libertou não são ainda suficientes para uma opinião abalizada. As explicações do secretário de estado Mota Campos pareceram-me mal fundamentadas - nomeadamente, aquele argumento que assentava na ideia de que as obrigações de retenção e entrega não são correspondentes entre o sector privado e o Estado é deslocada e perigosa.

Se aquilo que aqui é afirmado corresponder à verdade, é grave, é demasiado grave. Para além disso, aconteça o que acontecer amanhã, julgo que a credibilidade deste Governo sofreu mais um golpe.

Mas esperemos pelas justificações de Celeste Cardona amanhã no Parlamento.

A pospósito dos Óscares (tm) 

Ficamos a saber, via Paнs релативо- (é um verdadeiro новый культурный гид...), que uma versão teatral russa do filme "Oscar", escrito por Claude Magnier, vai estar em cena em Moscovo, nos próximos dias 28 e 29. O elenco é de luxo.

The Return of the King - 11 nomeações 

Depois da vitória nos Globos de Ouro, 11 nomeações para os Óscares.

Todas as nomeações aqui.

Uma desgraça de cardeal 

Via Barnabé tive acesso a estas infelizes declarações do cardeal belga Gustaaf Joos. Um homem completamente deslocado do seu tempo. Há muito tempo.

Alguns excertos:
- «le maniaque sexuel Clinton élu grâce au soutien des juifs».

- «Un préservatif est dangereux, parce qu'il permet des relations sexuelles comme des chiens dans la rue».

Na melhor das hipóteses, uma caso patente de senilidade de alguém que não deveria já deter funções de tanta responsabilidade.

(Falta de) Liberdade de imprensa e abuso sexual 

Não, não é em Portugal. É na vizinha Espanha.
Mais um sintoma do iberismo crescente?

O espectáculo da morte 

Tal como a toda a gente, chocou-me profundamente a morte de Feher. Viu-se como entre a vida e a morte, o sorriso e a dor, a resignação e a revolta, a fronteira é invisível, ténue, de facto não existe. Chocou-me igualmente a foto na 1º página do Público, em que era nítido o prenúncio da morte no olhar ou a morte, ela mesma, já instalada. Não conheci o homem, mas apreciava a sua fibra de jogador e custou-me vê-lo sair do Porto, como resultado das negociatas obscuras em que o mundo da bola é fértil.

Como qualquer ser humano, merece nesta hora o nosso respeito e é justo que lhe prestemos a derradeira homenagem, presencial ou à distância, mas sempre com o recolhimento que estas circunstâncias recomendam.

Mas verdadeiramente revoltante é todo o espectáculo mediático que agora se está a encenar em que respeito e decoro são vocábulos e valores de outra galáxia. Três canais a filmar obsessivamente em directo a vigília à câmara ardente, as banalidades do costume sempre que o assunto é futebol, algumas reportagens intermeadas onde era nítida a vasculhice por algo que pudesse juntar o escândalo à comoção para abrilhantar ainda mais a feira. Feira também de vaidades, com os vips do costume hoje reforçados com o sportinguista Santana Lopes e o portista Pedro Pinto, ambos com ar cuidada e convenientemente beatífico e não menos cuidada pose para as câmaras, a razão da sua presença, quiçá da sua existência. Imaginei um familiar meu naquela urna, atracção involuntária daquele circo interminável, e não pude deixar de sentir um enorme desespero, uma raiva intensa pela degradação a que chegámos.

Há uns dias atrás, JPP escreveu que já só faltava filmarem a morte em directo, mas era tudo uma questão de tempo. Ela aí está, repentina e não programada, mas suficiente para alguns jornalistas mal conseguirem disfarçar a sua excitação com tamanho “jackpot”. A feira para os despojos foi montada num instante e a esta hora ainda durará. Repugnante!!!

2004/01/26

O negócio da solidariedade 

Sempre me intrigou o termo IPSS (Instituições Particulares de Solidariedade Social). Isto porque pouco têm de particular Instituições cujo financiamento é garantido em 60% ou mais pelo Estado. Em Portugal assumiu-se que a solidariedade é algo de conta quase exclusiva do Estado, o que é óptimo para nos desresponsabilizar e aliviar a consciência. Assim sendo, o Estado é obrigado a apoiar toda a actividade dita privada que, supostamente, se dedica àquela causa.

Mas há aqui um efeito perverso. As organizações deixarão tendencialmente de se focar no seu objecto, naquilo que é a sua missão e tenderão a investir recursos na maximização da “avença” do Estado. A filantropia transforma-se facilmente num negócio; e, desgraçadamente, negócio que envolva o Estado há-de redundar sempre em corrupção.

Por falar em Ética e em Boas Práticas... RECTIFICAÇÃO E PEDIDO DE DESCULPAS 

Precipitei-me, miseravelmente, nesta posta.

O que aconteceu é que este blogue foi redimensionado e as postas que eu tinha julgado apagadas estão, afinal, disponíveis em arquivo.

Assim, tudo o que afirmei aqui deixa de fazer qualquer sentido.

As minhas desculpas aos leitores do Mata-Mouros por esta frenética "escorregadela".

As minhas desculpas - apenas por este lapso -, também, à autora ou autor deste blogue, esteja onde estiver e tenha o nome que tiver.

FÉHER - um esclarecimento 

Alguns amigos observaram a possibilidade de equívocos decorrentes da minha expressão «As melhoras», nesta posta que se referia a Féher.

Chamo a atenção para que a posta foi escrita às 23.09h, numa altura em que a morte do jogador húngaro ainda não era conhecida.

Quando tive a informação que Féher tinha falecido fiz outra posta, às 23.34h.

Não existia, nem existe, qualquer tentativa boçal de fazer humor com a desgraça de Féher como as horas das postas demonstram.

Posso ter, por vezes, uma noção algo duvidosa do é que fazer ironia mas ainda percebo os limites elementares do bom senso, da decência e da razoabilidade.

Por falar em Ética e em Boas Práticas... 

Faço notar que AM Ribeiro (seja lá quem ela queira ser) apagou as postas mais sensíveis do seu blogue: por exemplo, a da leitura do Homero por via da agradabilidade dos traços retorcidos do alfabeto grego; e a do seu inominável encontro-monólogo com John Malkovitch (ver excertos aqui).

Já agora, a(s) pergunta(s) que se impõe(m):

- Se AM Ribeiro não é a apresentadora Anabela Mota Ribeiro e esta última é somente a vítima de uma terrivel e sinistra cabala (ou urdidura) para destruir a sua magnífica imagem pública, então porque é que estas postas mais reveladoras foram eliminadas?

- A quem interessa a destruição destas opiniões tão sentidas e sintomáticas?

- Não será este "cuidado" o aspecto mais revelador da verdadeira identidade de AM Ribeiro?

A resposta de JPH a Óscar Mascarenhas (supostamente) 

JPH (Glória Fácil) deu uma senhora resposta às invectivas que lhe foram dirigidas pelo suposto guardião da ética jornalística, Óscar Mascarenhas.

Os blogues não são jornais e não estão sujeitos aos ditames dos sindicatos ou de Conselhos de Ética de qualquer espécie (e ainda bem).

A blogosfera é a liberdade de opinião na sua expressão máxima. Os problemas de falta de ética têm vindo a ser resolvidos pelas boas práticas e pelas composições naturais, não volitivas, que aqui resultam. Como aconteceu com o "Muito Mentiroso".

Não são necessários "códigos de ética" - que tão belos resultados têm demonstrado na imprensa! - ou de outra espécie qualquer. Isso faz lembrar aquelas regras idiotas que o Parlamento queria aplicar aos blogues dos deputados.

Não precisamos de regulamentações ou positivações normativas. A ordem natural das coisas bloguísticas é suficiente e trará - estou convencido - melhores resultados do que o acervo de códigos não cumpridos com que a imprensa se afoga.

A mão invisível continuará a funcionar.

Carta Aberta a AM Ribeiro 

AM Ribeiro, agora, fala em «dualidade de critérios voltada contra uma recém-chegada» à blogosfera face aos "helenistas ilustres" que já cá andam.

Para os que só agora se aperceberam da questão, o que está em causa - entre muitas outras coisas - é AM Ribeiro declarar o seu prazer em passar uma noite inteira a ler a Odisseia de Homero em grego confessando não saber patavina dessa língua, mas entusiasmar-se com os «traços retorcidos do alfabeto helénico»!!!

Um palpite para AM Ribeiro: vá pelo sexismo. Diga que se trata de uma campanha contra si pelo simples facto de ser mulher. Que os "machos" querem expulsar as mulheres da blogosfera, tal como o fizeram do "Senhor dos Aneis".

Siga estes meus conselhos: seja coerente com a inteligência que tanto tem demonstrado (supostamente) na TV e no seu blogue.

A blogosfera no seu melhor 

"Presidentes", no Cidadão Livre.

"Casa Nostra", n' O Vilacondense.

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