2003/11/09

COMENTÁRIOS AOS DIZERES DOS COMENTADORES  

(sobre o I Congresso da Nova Democracia)

Embora respeitando a distância política dos outros dois Mata-Mouros, não posso deixar em claro as observações de Pacheco Pereira e Marcelo Rebelo de Sousa.

JPP Reconhecendo o óbvio, i. é a legitimidade de um grupo de cidadãos tentar formar um partido político, tentou pegar no problema pelo lado aparentemente mais fácil: «não se percebe o que querem», «onde se situam», «qual o espaço» e deixando no ar uma imagem de grande confusão ideológica. É o ataque possível. Sempre que se tenta avançar com uma ideia nova, quem a não teve revela, normalmente, algumas dificuldades em percebê-la. É a clássica reacção à novidade, misto de espanto e aversão pela inovação na política. O que pretendia JPP? Continuar “agarrado” à lógica musguenta da divisão ideológica adquirida nos finais do sec. XVIII? Que um partido novo, no tempo em que estamos, pugnasse politicamente do mesmo modo que todos os outros partidos o têm feito desde há décadas? Que um partido novo se esgotasse num exercício mimético do estilo dos partidos idealizados nos anos 60 e 70? Porventura sim, seria esse o seu desejo. Por isso, não percebe. Mas vai acabar por entender, mais tarde.
A parte final da crítica foi de uma ferocidade tão descabida que fez perder a auréola de alguma seriedade conquistada no início. Expondo no pelourinho do prime time uma frase de Manuel Monteiro retirada do contexto, JPP perdeu a distância. Mal ancorado naquela frase, não conseguiu resistir à investida pelo aspecto pessoal. Fulanizou. Começou a injúria política no "demagogo" e foi por aí abaixo. Revelou simples intuitos pessoais. Terminou, sem brilho, com um desempenho em tudo enquadrável naquilo que pretendia imputar a Manuel Monteiro.

MRS – Foi muito suave. Confesso, assustou-me mais. Esteve muito mais atento. Mostrou que percebeu uma ou outra lacuna no discurso. A sua conclusão (logo no início) é que a Nova Democracia ainda é um enigma no que respeita à sua viabilidade. Mas quem se lembrar dos terríveis vaticínios feitos num certo Domingo de Abril, perceberá que, afinal, a «asneira», o «erro crasso», passou a estar ao alcance da redenção...

P.S. Realmente, JPP teve uma das suas piores actuações televisivas desde que estreou como comentador de serviço da Sic. Chamo a atenção para a desarticulada noção de “demagogo” que deu. Uma lástima. Equivocado nas raízes da expressão, deslocado na sua evolução, iludido no seu actual significado. Estive tentado a dar uma de Almocreve e explicar direitinho o significado cabal da expressão. Mas, depois, desisti. O fim-de-semana foi longo, ainda vou ter de dar os “prémios” e confio que JPP, na sua lendária biblioteca, tenha as fontes suficientes para detectar o seu desacerto.

A frase do dia (de ontem) 

And the oscar goes to Eduardo Ferro Rodrigues:
«se tivesse medo comprava um cão. Como é conhecido, tenho um cão que me acompanha permanentemente que me faz não ter medo (da falta de solidariedade) e de outras coisas mais» (aqui)

Está tudo explicado. A conduta de FR, nas últimas semanas, deveu-se exclusivamente ao medo que sentiu enquanto o seu cão, numa atitude pouco solidária com o dono, decidiu "dissidir". Agora que voltou, está tudo resolvido e o PS pode continuar a sua vida normal. "Venham eles, quantos são?"

Ambientalistas 

Continuando a saga das notícias incríveis, aqui fica outra, gentilmente enviada pelo Domingos (que ainda não tem blogue) e já comentada pelo Aviz:

"Hugo Tente, da Quercus, prevê que com o comboio de alta velocidade haverá mais gente a viajar e por isso mais poluição.

«As pessoas ficam com a noção de que é muito mais fácil, por exemplo, ir de Lisboa ao Porto. Em vez de fazerem uma viagem para outro local qualquer, se calhar muito mais curta, passam a fazer aquela», disse o ecologista"
. (aqui)

O que é que a pessoas vão a Lisboa fazer (já agora, porque não vão antes os Lisboetas ao Porto ou a Aveiro?...?) se deviam antes ir a outro lado qualquer?

"A Quercus defende ainda que para evitar esse possível aumento da poluição, sejam adoptadas medidas para dissuadir o uso do avião e também do automóvel."

Se eu fosse um "cabalista", diria que o Sr. Hugo Tenente tem alguma coisa a ver com isto.

2003/11/07

Antecipando os prémios semanais, 

Aqui aqui vai o título do dia:

"Corrupção é um dos principais obstáculos à conservação de espécies".

"Os investigadores concluem que os países corruptos tendem a ter uma maior biodiversidade de espécies de aves e de mamíferos. Mais importante, os resultados mostram que os países que recebem mais financiamento devido ao seu elevado valor natural também têm os níveis mais elevados de corrupção."

Acrescentam:

"É por isso que é preciso ter cautela na aplicação destas proibições [de comercialização de certas espécies ou de bens obtidos a partir delas, como o marfim] porque existem provas de que, num cenário de procura crescente de determinados produtos, estas são ineficazes e apenas vão aumentar a riqueza e o poder de quem é corrupto".

A ter em atenção na tentativa de extinção dos nossos "dinossauros" (num flagrante ataque à biodiversidade) por via constitucional.

Arafat desviou para contas privadas 800 milhões de dólares 

Segundo esta notícia, Arafat ainda é pior do que se pensava. E o ditador palestiniano já estava num ponto excessivamente baixo de consideração para poder descer muito mais.
A reportagem é da CBS que «afirma ter contado com a colaboração do ministro das Finanças palestiniano, Salam Fayad» (mais um que vai ter de se demitir).
Aguardemos os pressurosos desmentidos europeus e as teorias da conspiração terceiro-mundistas.

Este vício é pior no Brasil 


Via Adufe

2003/11/06

Muito Católico mas pouco cristão 

Deplorável o conteúdo desta posta do Católico. A sua defesa das oportunas considerações do Bloguítica - Racismos Imaginários I, II, III, IV - não convence. Apesar de não crente, asseguro-lhe que está extremamente carenciado de muitas e piedosas doses de fraternidade cristã.

Camarada Barreirinhas 

Seguindo as passadas neo-marxistas do Camarada Rui, deixo aqui o link para o texto publicado hoje no Avante pelo camarada Álvaro, não resistindo a trancrever este excelente (sem ironia) naco de prosa:

"Uma falsa avaliação da situação criou porém nas forças revolucionárias uma ilusão: que era irreversível o avanço revolucionário e o processo em curso de libertação da humanidade.
Para essa ilusão não se tiveram em conta três realidades.
A primeira: a capacidade mostrada pelo capitalismo, mais que os países socialistas, de não só desenvolver as forças produtivas, como de descobrir, desenvolver e aplicar novas e revolucionárias tecnologias.
A segunda: a utilização pelo imperialismo, designadamente pelos Estados Unidos, de colossais meios materiais e ideológicos, a repressão brutal contra os trabalhadores e os povos em luta, colossais meios financeiros, económicos, políticos e militares contra as revoluções, bloqueios, sabotagens, atentados, conspirações, acções terroristas e guerras declaradas e não declaradas.
A terceira: as tendências crescentes nos países socialistas, nomeadamente na União Soviética, para a centralização e burocratização do poder e para a estagnação, pondo em perigo o futuro da sociedade socialista em construção.
Todos estes elementos em conjunto conduziram, na segunda metade do século XX, à vitória do capitalismo na competição com o socialismo.
"

2003/11/05

Coerências 

O Alberto espanta-se que a esquerda não reconheça a postura independente de Rui Rio face ao futebol. Mas qual é o espanto? Foi a esquerda, liderada pelo sportinguista Fernando Gomes, que esteve na génese da actual promiscuidade entre a política e o futebol. Foi com ele que se criaram as homenagens “obrigatórias” aos campeões no edifício da Câmara, que João Soares copiou com o Sporting e que Rui Rio ousou terminar em Maio passado de forma “sacrílega”, para grande desespero dos vereadores do PS e de grande parte dos media, que pretendiam à viva força manter o ritual. Na altura, também “ousei” escrever isto num artigo de opinião no Comércio do Porto:

“(...) assistimos à manifestação de uma enorme angústia por parte dos jornalistas de vários órgãos de comunicação, verdadeiramente pesarosos pela ausência de comemorações no edifício da Câmara. Festejos de campeonato ou de taças que se prezem, terão de passar pela transformação da varanda exterior dos Paços do Concelho em “passerelle”, para o ritual obrigatório destas ocasiões: o inevitável desfile dos “donos da bola” e seus artistas, culminando pela sua recepção pelos edis que, perante uma multidão ululante em delírio, se deverão vergar em comovida e respeitadora homenagem aos heróis de tão épicos feitos.”

Lembro que quando o FCP foi campeão europeu em 1987, não tivemos nada que se parecesse com a “romaria” de Sevilha. Era então Presidente da Câmara Fernando Cabral, um antigo dirigente portista que não foi a Viena (pasme-se!!!), não tendo daí resultado qualquer escândalo – veja-se só o que o País “evoluiu” desde então.

A promiscuidade política/bola é hoje uma das faces mais visíveis do populismo, que abrange uma vertente “dextra”, corporizada por Santana e Menezes e outra canhota, liderada por Jorge Coelho e pelo “Narcísico” presidente do Alberto. A coisa chegou a um estado tal, que já se fazem “romarias” a inaugurações de estádios, estando já devidamente comprovado o sub-dimensionamento dos camarotes vip.

Devo dizer que conheço o Rui Rio desde os tempos de Faculdade e atesto tudo o que o Alberto dele disse e muito mais. E não tenho dúvidas que a sua postura, seriedade e coerência serão amplamente reconhecidas daqui a 2 anos.

Já agora e antes que comece a receber mails de apoio por parte de lampiões e lagartos, informo que sou dragão (mas não super)...

Última nota 

De transmontano só tenho uma costela. Sou do Porto, por naturalidade e por vocação. Confundiu as minhas origens com as do LR, que sei ter nelas enorme orgulho.
Pode, portanto, ficar descansado que não vai sofrer qualquer "sacholada" ou "enxadada". Até porque a nossa questão não é de águas mas de nível cultural - no seu caso, da sua assustadora carência.

I rest my case 

«Não me dou ao trabalho de responder, nunca respondo a observações não fundamentadas, sobretudo quando vêm de transmontanos, que sendo iguais a todos se acham sempre muito rudes, agrestes, rijos e capazes de suportar os frios mais intensos e as inclemências mais atrozes! Dizem eles que isso forma o carácter, que lhes dá uma força que se nota em qualquer lugar do mundo, fora do seu lugar de origem, têm até ditados pitorescos como "Para trás do Marão mandam os que lá (cá) estão". Enfim, pretensões... Mas acabam quase sempre à sacholada e à enxadada, não estou para isso, as enxadas serviram demasiadas vezes para resolver questões de águas»

As revelações de Tarek Aziz 

Sobre as relações entre Saddam Hussein, a França e a Rússia, no final de 2002 e no início de 2003 são perturbadoras. Segundo esta notícia do Washington Post,

"Aziz has told interrogators that French and Russian intermediaries repeatedly assured Hussein during late 2002 and early this year that they would block a U.S.-led war through delays and vetoes at the U.N. Security Council. Later, according to Aziz, Hussein concluded after private talks with French and Russian contacts that the United States would probably wage a long air war first, as it had done in previous conflicts. By hunkering down and putting up a stiff defense, he might buy enough time to win a cease-fire brokered by Paris and Moscow.".

As declarações do Ex-Ministro, profundo conhecedor dos corredores do poder em Paris, valem o que valem, mas a ideia de que as mesmas visassem apenas "agradar" aos aliados não é corroborada pelo restante teor do seu depoimento. Aziz nega a existência de armas químicas, biológicas e nucleares, defendendo que o Iraque interpretava a resolução da ONU no sentido de apenas proibir mísseis de longo alcance equipados com ogivas daqueles tipos, mas não mísses de longo alcance tout court (equipados com "armamento convencional").

Veja-se o excelente comentário à notícia assinado por José Manuel Fernandes, hoje, no Público.

Update: Ver também o comentário de Neptuno no Mar Salgado

Espessa crosta de ignorância 

Não consigo deixar de me espantar com a ignorância de alguns peritos na arte de o não parecer. Vejam esta posta que pretendia ser uma resposta(?) a esta do Liberdade de Expressão.
Atentem neste resvalamento para a cabotinice: «Também não acredito na superioridade cultural ocidental, argumento mais uma vez falacioso, não existem culturas superiores, existem sim armas superiores, e aí sim, acredito no liberalismo, como despreza o Homem concentra-se no poder das armas, não há assistência médica, mas há bom exército. Que o dinheiro dos impostos sirva para alguma coisa, graças a Deus! Acho bem».
Será que ele também é assim na música?

2003/11/04

Dois artigos acerca da "constituição europeia 

Dois jornais do Porto com duas óptimas análises sobre o projecto de "constituição" giscardiana. Um no Primeiro de Janeiro, de Carlos Loureiro. Outro, no Comércio do Porto , da autoria de Pedro Madeira Froufe. A não perder.

Ser Vitorioso (2) 

A propósito desta posta, um amigo recordou-me o que dizia Pessoa: "vencer é ser vencido".
Como uma luva.

2003/11/03

Prós&Contras - A "constituição" de que ninguém fala (3) 

Mas ninguém fez uma crítica liberal a esta "constituição". Ninguém disse que se está a forjar uma Europa socialista, um super-estado intervencionista, uma máquina de eurocratas, um funcionalismo europeu centralizado.
Apenas timidamente se avançou com a ideia de que a política externa e de defesa comum é uma tentativa descabelada e perigosa do eixo franco-alemão de fazer face à Nato e de criar uma divisão terrível no Ocidente.
Que se estão a adoptar na Europa - muito graças à perniciosa influência francesa - as soluções estatizantes, repristinando-as, que vão sendo rejeitadas internamente em todo o lado, i. é nos Estados que compõem a União Europeia.
Um dos maiores defeitos desta "constituição" é o seu cariz socialista e o seu anacronismo de tentar criar uma "Europa-Providência", depois deste modelo já ter sido ultrapassado pela história.

Prós&Contras - A "constituição" de que ninguém fala (2) 

Parabéns a Jorge Miranda. Fez-me ficar orgulhoso de ser jurista. Num momento em que a generalidade dos juristas estão alheados do combate intelectual e se deliciam a discutir os folhos enredados das coisas sem importância, ainda há Professores de Direito dignos desse nome.

Prós&Contras - A "constituição" de que ninguém fala 

Ver a discussão na RTP1 acerca do projecto giscardiano de "constituição" europeia faz-me vislumbrar um pouco daquilo que poderá ser o debate de um eventual referendo (por mim, continuo a dizer que a actual maioria não vai deixar fazer um referendo a tempo e horas).
Para além do Prof. Jorge Miranda não consigo ver ali ninguém que não seja a favor deste projecto ou, pelo menos, se situe fora da tradicional posição acerca das questões europeias do "Sim, mas...".
O caso mais intrigante é o de Vasco Graça Moura que na primeira quinzena de Setembro publicou no Diário de Notícias um virulento artigo acerca do método de elaboração desta "constituição": «Na verdade, nem Giscard D'Estaing é Jeová, nem o Conselho é Moisés, nem Bruxelas é o Monte Sinai, nem o projecto de constituição é o Decálogo». Hoje à noite, muito mais amansado, percebeu-se que a costela partidária é mais forte que os sentimentos, emoções e conclusões próprias.

Ser Vitorioso 

Há muita espécie de vitórias - por exemplo, as circunstanciais, as decisivas, as casuais, as premeditadas, as passageiras e as de "Pirro". A vitória, por si só, não desvenda ninguém, nem mesmo o carácter vencedor de quem quer que seja.
O que se pode reconhecer é um talento especial em transformar em vitórias coisas que o não são. É a arte da prestidigitação. Mas ser "artista" e ser vencedor são coisas bem diferentes.

Outing 

Meu Caro Alberto, deixe-me corrigir a percentagem que me atribuiu, porque eu sou transmontano a 100%: 50% de Vimioso por ascendência materna e 50% de Chaves pela via paterna.
Claro que, com um pouco de boa vontade, poderia acrescentar-lhe mais 100% por eu próprio ter nascido em Chaves. Mas, segundo uma teoria que eu subscrevo integralmente, da autoria de um ilustre Flaviense, Morais Sarmento (não, não é esse!), o local de nascimento não conta para o efeito. Defendia categoricamente esse meu prezado conterrâneo, com filhos nascidos em Moçambique, que estes, com progenitores transmontanos, eram integralmente transmontanos. E arrasava com esta: “então se tivessem nascido no mar, eram Marujos? E se nascessem no ar, seriam Araújos?”
E a coisa bate certa, porque desta forma a naturalidade global, que pode ser compósita, somará sempre 100%.
Uma tal genialidade, só poderia vir de um transmontano!... E assim se comprova que os transmontanos serão milhões!!!

República das bananas (VII)  

Estarei sempre disponível para continuar esta discussão com qualquer blogue que se situe num patamar civilizado, se bem que, repito, o futebol não tem de facto a importância que neste País se lhe atribui. Julgo fazer justiça ao Nuno se afirmar que ele se encontra naquele patamar, o que já não sucede com outros, que descambam facilmente para a rasquice tribal.

Diga-se, antes de mais, que não pretendo colocar-me numa postura imaculada ou asséptica. Gosto de futebol enquanto espectáculo, sou “andrade” assumido, muito embora apenas torcedor de sofá, mas também sujeito a todas as euforias e frustrações decorrentes da melhor ou pior pontaria do Derlei, Deco & Cª. Mas acabado o espectáculo, “zapping” efectuado, que o futebol ocupa na minha vida apenas o cantinho insignificante que merece e tenho gasto (perdido?) muito mais tempo a lutar contra a sua omnipresença na sociedade do que a apreciá-lo. E uma das coisas que se me torna cada vez mais insuportável são os intermináveis “rescaldos” com os “intelectuais da bola”, as reportagens de rua, os comentários alarves. E é raríssimo ouvir comentar o espectáculo em si, a qualidade (ou falta dela) técnica e táctica do jogo, o tempo é quase todo ocupado com os “casos do dito”, a rasteira que o árbitro não viu, o “penalty” que era ou deixou de ser, o fora-de-jogo mal assinalado, tudo muito bem espremido e empolado até à náusea.

Mas o que sobretudo me impressiona é a perda total de discernimento de certas pessoas quando se discute o fenómeno. Passa a imperar apenas a “clubite”, as reacções são tipicamente inquisitoriais, qualquer ataque ao clube de eleição, pertinente ou não, é considerado heresia imperdoável, passível de auto de fé e correspondente fogueira. Desapareceu desde há muito a vertente desportiva e do espectáculo, prevalece a completa alienação e um fanatismo que tem muito de religioso. Toda a raiva contida nos numerosos “hate mails” que tenho recebido atesta a completa intolerância a que se ponha em causa o “sacratíssimo” nome do Benfica, o “glorioso” que há muito deixou de o ser.

A minha “guerra”, Caro Nuno, é contra o fenómeno do futebol e o peso excessivo que ele tem na nossa sociedade, que está a levá-la a um completo embrutecimento. É contra a corporação de interesses que ele representa, uma das mais perversas e com poder crescente. Não é especificamente contra o Benfica, mas também contra ele, como pode ser comprovado pela (re)leitura das minhas postas anteriores. A minha postura será exactamente a mesma (como já foi) se estiver em causa o Porto, o Sporting, ou qualquer outro clube. Simplesmente, quando se trata do Benfica, perde-se neste País toda e qualquer noção de bom senso e do ridículo, como o atestaram as 12 horas de emissão, a história caricata do burro ou o folhetim insuportável das eleições, cuja importância já foi aqui devidamente desmistificada pelo CAA.

A minha “guerra” é contra a promiscuidade entre a política e futebol, fonte de enorme corrupção por este País fora. Sinto-me revoltado quando vejo os meus impostos delapidados em 10 estádios ou noutros investimentos megalómanos, que servem apenas os interesses de corporações instaladas; sinto-me insultado quando assisto àquele render de vassalagem nas tribunas vip, àquela atitude hipócrita e subserviente dos políticos, cujo único objectivo é que as câmaras registem a sua “fidelidade” aos “ayatollahs” do regime, convencidos que assim garantem votos e a perenidade no poder. Se bem que direccionada apenas a um dos “mullahs”, Ana Sá Lopes retratou ontem na perfeição a pior faceta daquele fenómeno. Por isso, Caros Nuno e Dupond, não me venham falar de pazes entre Pinto da Costa e Rui Rio! No dia em que este aparecer sentado no camarote ao lado daquele, é sinal que perdeu a guerra com o futebol e terá acabado o único foco de salubridade que ainda existe na política portuguesa.

Reafirmo que a falência dos clubes seria algo de profilático. Não seria drama nenhum - muito pior é perdermos alguém de família - e a vida continuaria. Os adeptos não aceitariam? Óptimo, quotizem-se para que tal não aconteça. Mas apenas os adeptos, jamais o contribuinte. Ainda estou para perceber como é que o Benfica dos 6 milhões de portugueses é o que está em pior situação...

Por vezes, custa-me de facto suportar a realidade em que vivo. Mas emigrar por isso, meu Caro Nuno, seria virar costas cobardemente. Assim, vou continuando a matar mouros (os mencionados aqui à esquerda), tentando com isso alterar a realidade para melhor.

REVISTA DE BLOGUES XV 

Os Melhores da Semana
Melhor Texto: empate entre “Que o silêncio esteja connosco”, no Terras do Nunca, e “Não Saber”, na Flor de Obsessão;
Melhor Entrevista: “Entrevista ao João Pereira Coutinho...”, no Homem a Dias;
Melhor História: “Há tempos, em Lisboa, um conhecido meu jantava num restaurante muito frequentado por benfiquistas de alta patente (seja isso o que for) e lá esteve perto de um grupo de gente conhecida. Ao que me contou, um deles era Bagão Félix, já ministro, que, dando murros na mesa, vociferava: "O problema não é eles ganharem. O problema é os nossos filhos já serem portistas!...", no Cerco do Porto;
Melhor Conversa: “Quem? Eu?”, no Barnabé;
Melhor Frase: «Ontem, comprei o DVD com a final mágica de Sevilha. Não só, mas também, para me lavar das dez horas de edição vermelha da TVI», n' O Vilacondense;
Melhor Análise: empate entre “O que se espera de Catalina?”, no Barnabé e “A análise da agenda da blogosfera (texto final)” no Glória Fácil;
Melhor Reflexão: “O sentido da coisa”, no Blogame Mucho;
Melhor Pergunta: «NÃO SERIA...conveniente averiguar desde já, se, no caso Casa Pia, todos os advogados, juízes e procuradores têm de facto o curso de direito?», no Cidadão Livre;
Melhor Resposta: “Um Dia na Vida de um Suburbano” no Jaquinzinhos;
Melhor(es) Imagem(ns): B4 ½ night;
Melhor Observação: «em nome do regular funcionamento das instituições... aguarda-se serenamente uma explicaçãozinha do Ministério das Finanças em relação às fortunas proclamadas por alguns dos candidatos à presidência do Benfica», na Grande Loja do Queijo Limiano;
Melhor Revelação. Semprempe;
Melhor Posta: empate entre um texto do Luís Pacheco que o Almocreve das Petas renomeou “[Em Louvor do Prof. Marcelo]”, e “Overdose”, no Terras do Nunca;
Melhor Sensação: Almocreve das Petas;
Melhor Blogue: empate entre o Catalaxia e o Aviz.

| Última |

This page is powered by Blogger. Isn't yours?

Listed on BlogShares